Conhecida no Brasil e premiada no exterior, a cachaça Bassi se renova depois de mais de quatro décadas de expansão

Santa Mariana – Quem passa pela Rodovia Melo Peixoto,Br-369 no Sítio Nossa Senhora Aparecida em Santa Mariana, no Norte Novo do estado pode desfrutar de uma cachaça tipicamente regional e muito conhecida.  A história da Cachaça Bassi começou em 1980, quando uma família de origem italiana começou a produzir a bebida artesanalmente para consumo próprio. A tradição continuou, evoluindo de um pequeno Alambique familiar para uma produção comercial que ganhou reconhecimento pela qualidade, não apenas na região, no estado e no país. Foi destaque também com o prêmio Golden Star pelo International Taste & Quality Institute (ITQ), em Bruxelas, na Bélgica. Produzida pela família Bassi, há mais de 30 anos, a cachaça recebeu a classificação “Golden Star”, passando ocupar o posto de melhor bebida do gênero no Paraná. O instituto avalia bebidas e alimentos de todo mundo.

Produção em família

Atualmente o famoso Alambique é administrado pelos filhos e netos do fundador, Paulo Bassi. A família Bassi, com descendência italiana, iniciou a produção de cachaça de alambique em Santa Mariana com o objetivo de apenas consumir a bebida em casa e distribuir para amigos e familiares. O fundador Paulo Bassi, deu o nome de “Bassi” à cachaça em homenagem à sua família. A qualidade excepcional do produto atraiu a atenção de amigos e vizinhos, gerando um aumento na demanda que a produção inicial não conseguia atender. A procura cresceu e a família começou a aumentar a produção gradualmente para atender ao mercado. Após o falecimento do fundador, Paulo Bassi em 2010, seus filhos e netos assumiram o negócio, mantendo a tradição e os ideais da marca.

A premiação internacional, de acordo com o diretor comercial e de marketing, Evandro Silva Eto, a Adega Bassi enviou amostra da Cachaça “Branca” em Fevereiro deste ano para ser avaliada pelos conceituados chefs e sommeliers do instituto, localizado na capital belga. O ITQ, afirma ele, é referência mundial na avaliação e promoção de alimentos e bebidas de sabor superior. “O superior Taste Award, Prêmio de Sabor Superior, concedido pelo instituto, é um reconhecimento único utilizado por muitos produtores e distribuidores como um poderoso instrumento de marketing que oferece argumento forte para negociações empresariais. O selo distingue claramente os seus produtos da concorrência”, explicou.Eto destaca ainda que a seleção pela qual passou a cachaça Bassi, não é classificada como uma competição. “Os produtos são avaliados por seus atributos individuais e não há competição entre os mesmos. Os jurados do ITQI são únicos no mundo porque são selecionados por uma parceria exclusiva com as mais prestigiadas associações de culinária e sommeliers da Europa, como a Association dela Sommellerie Internationale  a ASI”, explicou.

Ideia veio de São Paulo

A história da Caninha Bassi, conforme o diretor comercial, que é genro do agricultor e empresário Orlando Bassi, começou em 1982, por sugestão de um parente da família, que produzia cachaça artesanal no interior de São Paulo. A filha do agricultor, Viviane Bassi Eto, que é engenheira agrônoma, cuida da parte técnica e do envase da cachaça. Já Evandro Eto busca novos mercados. “Com a expansão dos negócios, estamos conquistando mercados nas principais cidades do Paraná e do interior de São Paulo”, comemora.Mas os responsáveis pela cachaça Bassi não puderam participar da premiação, que ocorreu em Bruxelas. O selo foi enviado a Santa Mariana e tem validade de três anos. A adega, segundo seus diretores, pretende participar todos os anos desta avaliação.

Novas instalações

Para manter a tradição, atualizando as instalações, a Família Bassi vem melhorando as instalações, com a construção de novos Barracões para acomodar os imensos tonéis que mantém a qualidade dos três produtos: Cachaça Prata, Ouro e armazenada em bálsamo. Na propriedade rural de 1,25 alqueire localizada em Santa Mariana, uma cachaça premiada internacionalmente tem sua história ligada diretamente à Geada Negra, que dizimou as lavouras de café do Estado em meados da década de 1970. Até então, o produtor paranaense de café, Paulo Bassi, só tinha contato com a cachaça graças ao cunhado, que produzia no interior de São Paulo.Quando ia até lá visitar a irmã, o cunhado incentivava a produção na propriedade dos Bassi, em Santa Mariana, algo que se tornou realidade quando a crise do café se instaurou. Com o investimento no alambique e toda a expertise, a cachaça artesanal feita pelo produtor, começou a ficar famosa na região, mas com as vendas sempre controladas. Bassi não pretendia expandir os negócios. Era como se guardasse um tesouro para a região que vivia. Entretanto, em 2010, com o falecimento do produtor, os filhos quiseram manter o legado de uma cachaça especial, mas de uma forma mais comercial. Hoje, a cachaça Bassi, com marca registrada, envase e um processo meticuloso para manter as tradições,já está nas mãos da terceira geração da família: a engenheira agrônoma e mestre cachaceira, Viviane Bassi, neta de Paulo e seu marido, Evandro Eto.Ele explica que atualmente são dois hectares, 0,83 alqueire, destinados à produção de cana-de-açúcar, o que gera uma capacidade de produção de 15 a 20 mil litros de cachaça por ano, com comercialização por diversas cidades do Paraná, Minas Gerais, São Paulo e também na propriedade. “Como a propriedade fica na beira da rodovia, continuamos a vender aqui, como o avô de minha esposa, Paulo Bassi fazia. Ele tinha a regularização do alambique, mas apenas para a produção e venda no local. Entre 2011 e 2012 iniciou o processo de andamento do registro da marca e de envase”, concluiu.

Prata e Ouro

O casal trabalha com três produtos: Cachaça Prata, Ouro e Armazenada em Bálsamo. A prata é produzida e depois armazenada para descanso em tonéis de amendoim pelo período mínimo de seis meses. O amendoim é considerado uma madeira neutra, o que significa que não lhe confere alteração em aroma e sabor. A ouro também descansa nos tonéis de amendoim, mas depois é envelhecida por mais um ano em barris de carvalho europeu. O descanso no amendoim reduz a acidez e o carvalho acrescenta aromas amadeirados. Já a cachaça armazenada em tonéis de madeira de bálsamo (ou Cabreúva) gera um aroma de azeitona preta e sabor levemente de anis estrelado. No último caso, o tonel de armazenamento foi construído em 1929 na propriedade.Mesmo com todo conhecimento e um produto de qualidade, o maior desafio para o casal continua sendo a comercialização. Isso porque a cachaça de outros estados chega aqui mais competitiva, já que o governo estadual não flexibiliza os tributos. “Em outros estados, como Minas Gerais, o produto chega mais barato do que eu vendendo para o lojista. Assim, não consigo concorrer diretamente dentro do meu próprio Estado”, explicou Eto. Mesmo assim, a cachaça Bassi tem todo potencial para atingir outros mercados pelo mundo. Algo que o casal tem trabalhado, visitando feiras, participando de concursos mundiais (o produto já foi premiado em Bruxelas e Belo Horizonte) e procurando parceiros. “Estamos prospectando mercado externo, trades e compradores fora do Brasil. É um processo mais demorado, é preciso achar a pessoa certa, mas que pode gerar grande competitividade para nós”, concluiu.

Cachaça Bassi: Depois de 45 anos de tradição, constrói nova estrutura

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Marcos André Brito /Asimp