Foram 6.051 registros entre setembro de 2025 e agosto de 2026; produtores rurais relatam oscilações, interrupções e demora no restabelecimento, enquanto companhia destaca investimentos e ações voltadas ao campo

O número de reclamações contra a Copel registradas na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mais que dobrou em um ano. Segundo o Informativo de Ouvidoria Setorial da agência reguladora, foram 6.051 registros entre setembro de 2025 e agosto de 2026, aumento de 110,4% em relação aos 12 meses anteriores.

No levantamento, que considera 51 distribuidoras de energia elétrica, a Copel apresentou o quarto maior crescimento percentual das reclamações e ficou na 10ª posição em número absoluto de registros no período.

Os dados são divulgados em meio a reclamações de produtores rurais paranaenses sobre interrupções no fornecimento, oscilações de tensão e demora no restabelecimento da energia. O Sistema FAEP, que reúne sindicatos rurais do Estado, tem cobrado providências da concessionária e, em julho, informou ter encaminhado representações ao Ministério Público do Paraná (MPPR) e ao Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU).

O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, afirma que os problemas atingem diretamente atividades dependentes de fornecimento contínuo de energia.

“Boa parte destas reclamações tem origem nos nossos produtores rurais, que convivem, há anos, com o péssimo serviço da Copel. O fornecimento de energia no campo chegou num ponto insustentável, onde, infelizmente, as perdas na produção e os prejuízos financeiros se tornaram uma rotina”, afirma.

“O crescimento exponencial nas reclamações comprova que há algo de errado no serviço fornecido pela Copel. O Sistema FAEP vai continuar cobrando a empresa em busca de melhorias urgentes”, acrescenta Meneguette.

Produtores relatam prejuízos

Em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná, a produtora de leite Franciele Aparecida Byk Schneider relata que quedas e oscilações de energia têm afetado uma propriedade que produz até 18 mil litros de leite por mês.

“No começo, eu não lembro dessas oscilações. Acontecia problema em caso de temporal. Mas, do jeito que está hoje, com certeza não era. Piorou muito”, afirma.

Segundo Franciele, houve ocasiões em que foram registradas cerca de 20 interrupções durante uma hora e meia de ordenha. Em situações como essa, a alternativa foi desligar a alimentação da rede e recorrer ao gerador.

“Cada vez que eu preciso colocar o gerador tem custo com diesel. A água dos animais é toda por bomba, então preciso de energia. É um prejuízo grande”, relata.

O presidente do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, Edio Chapla, afirma que reclamações semelhantes são feitas por produtores de diferentes cadeias de proteína animal. Segundo ele, oscilações e baixa tensão também podem comprometer sistemas automáticos utilizados nas propriedades.

Em Coronel Vivida, no Sudoeste, o avicultor Gilvânio Bussularo, que aloja 50 mil aves por lote, afirma que utiliza o gerador com frequência devido a problemas no fornecimento.

“Se acontecer alguma falha mecânica, são 50 mil aves de prejuízo. Quem é que trabalha seguro sabendo que está contando com o gerador praticamente três vezes por semana?”, questiona.

Bussularo afirma que a principal dificuldade está na qualidade da energia que chega à propriedade. “É muito equipamento queimando, muito gerador trabalhando por oscilação de energia. Não tem condições. Nós já pagamos uma energia caríssima”, diz.

Relatos semelhantes foram reunidos pela FAEP em Espigão Alto do Iguaçu e Tibagi. Os produtores mencionam dificuldades para manter sistemas de ordenha, abastecimento de água, aviários, criação de suínos e secagem de grãos durante interrupções prolongadas.

Copel destaca investimentos no meio rural

Em manifestações públicas recentes sobre o atendimento ao campo, a Copel reconheceu a existência de desafios na rede rural e informou que vem realizando investimentos para ampliar a estabilidade e a capacidade do sistema.

A companhia concluiu cerca de 25 mil quilômetros de novas redes trifásicas em 395 municípios, em um programa que recebeu investimentos de aproximadamente R$ 3,3 bilhões ao longo de cinco anos. A empresa afirma que a modernização torna a rede mais resistente e amplia a capacidade de atendimento às atividades agropecuárias.

Em 2026, a concessionária também criou o Copel Agro, canal direcionado principalmente a produtores de atividades com maior dependência de energia. Em junho, a empresa informou ter realizado 51,2 mil contatos em 70 dias de funcionamento do programa, incluindo pedidos de religamento, novas ligações e outros serviços. Segundo pesquisa divulgada pela própria companhia, o índice de satisfação dos clientes atendidos pelo programa era de 95%.

A Copel também afirma que o aumento da demanda de energia no meio rural exige planejamento e adequações na infraestrutura. Segundo a concessionária, ampliações de carga ou instalação de equipamentos e sistemas de geração sem comunicação prévia podem provocar oscilações e instabilidade na rede.

Até a elaboração desta matéria, não foi localizado posicionamento específico da Copel sobre o aumento de 110,4% nas reclamações registradas pela Aneel. O espaço permanece aberto para manifestação da concessionária sobre os dados e os relatos apresentados pelos produtores.

Tarifa teve reajuste médio de 20,51%

Desde 24 de junho de 2026, as tarifas da Copel Distribuição passaram por reajuste com efeito médio de 20,51%. O percentual foi estabelecido pela Resolução Homologatória nº 3.592/2026 e vale até 23 de junho de 2027. A própria Copel registra o índice em seu histórico oficial de reajustes tarifários.

O percentual de 20,51% corresponde ao efeito médio do reajuste, o que significa que o impacto efetivo sobre a conta pode variar conforme classe de consumo, tensão e características tarifárias de cada consumidor.

Como reclamar

O consumidor que enfrentar interrupções, oscilações ou outros problemas deve inicialmente registrar a ocorrência nos canais da Copel e guardar os números de protocolo. Caso a demanda não seja solucionada, é possível procurar a Aneel.

Copel: telefone 0800 643 7676, com atendimento 24 horas, e WhatsApp (41) 3013-8970.

Aneel: telefones 167 e 0800 727 0167, de segunda-feira a sábado, das 8h às 20h. A agência também oferece atendimento digital por chat, formulário eletrônico e pelo aplicativo Aneel Consumidor.

Fonte: Aneel, Copel e Sistema FAEP