Com investimento de R$ 58,9 milhões, unidade terá capacidade para produzir 40 milhões de doses anuais destinadas ao diagnóstico de doenças bovinas; início dos lotes-piloto está previsto para 2027
O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) está na fase final de construção do Centro de Pesquisa e Produção de Insumos para Diagnósticos Veterinários (CIV), em Curitiba. Com 88% das obras concluídas, a nova unidade tem previsão de inauguração até dezembro de 2026 e deverá ampliar a produção nacional de insumos utilizados na identificação de doenças que afetam os rebanhos bovinos.
A fábrica está sendo instalada no câmpus CIC do Tecpar, em uma área de 3 mil metros quadrados. A estrutura terá capacidade para produzir até 40 milhões de doses por ano, destinadas ao diagnóstico de brucelose, tuberculose e leucose bovina.
O empreendimento recebeu R$ 58,9 milhões em investimentos do Fundo Paraná, administrado pela Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). O valor representa cerca de 40% dos R$ 151 milhões destinados pelo Governo do Estado ao Tecpar em 2026, para a execução de 22 projetos nas áreas de saúde e inovação.
Segundo o diretor-presidente do instituto, Eduardo Marafon, a nova estrutura representa um avanço para reduzir a dependência de insumos importados e fortalecer a capacidade nacional de diagnóstico veterinário.
“Devido a sua importância para o fortalecimento da saúde animal, a construção dessa nova planta produtiva recebeu o investimento mais relevante do Fundo Paraná. Esse é um projeto estratégico, que vai beneficiar todo o país, abastecendo o mercado veterinário com insumos essenciais, e fortalecendo o Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose Tuberculose”, afirma Marafon.
A instalação terá classificação de Nível de Biossegurança 3 (NB-3), exigida para atividades que envolvem determinados agentes biológicos e demandam medidas rigorosas de contenção, proteção dos trabalhadores e controle dos processos produtivos.
Produção comercial dependerá de registros em 2027
Apesar da previsão de inauguração ainda neste ano, o fornecimento regular de produtos ao mercado veterinário não será imediato. A próxima etapa envolve a instalação dos equipamentos, testes de funcionamento da estrutura, aquisição de materiais e capacitação das equipes.
De acordo com a gerente do CIV, Giselle Almeida Nocera Espírito Santo, os primeiros lotes experimentais deverão ser produzidos no segundo semestre de 2027.
“A expectativa é que a produção dos lotes-piloto e o registro dos produtos aconteça no segundo semestre de 2027. Esta etapa incluirá a produção e a validação dos lotes iniciais de antígeno acidificado tamponado e de tuberculina bovina e aviária, utilizados no diagnóstico da brucelose e da tuberculose bovina”, explica ela.
Esses produtos são utilizados em exames veterinários que ajudam a identificar doenças nos rebanhos, contribuindo para o controle sanitário e a prevenção de prejuízos à pecuária.
A comercialização dos insumos dependerá da conclusão dos testes, da validação dos processos produtivos e da obtenção dos registros exigidos pelos órgãos reguladores.
Pesquisas buscam reduzir dependência de importações
Além da construção da fábrica, o Tecpar desenvolve dois projetos de pesquisa voltados à produção nacional de insumos para diagnósticos veterinários.
O primeiro busca aprimorar o cultivo de cepas da bactéria Brucella spp., utilizadas na fabricação de antígenos para identificação da brucelose bovina. Atualmente, segundo o instituto, mais de 70% dos antígenos empregados nesses exames são importados.
A pesquisa recebeu R$ 5,6 milhões para aquisição de equipamentos e desenvolvimento de processos que permitam ampliar a produção em escala industrial. A expectativa é que a nova fábrica contribua para diminuir a dependência de fornecedores internacionais.
O segundo projeto, desenvolvido em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), pretende criar e registrar um teste nacional para identificação da leucose enzoótica bovina (LEB), doença que afeta o sistema linfático dos animais.
Com investimento de R$ 400 mil, a pesquisa utiliza o método Elisa, técnica laboratorial empregada na detecção de marcadores associados a diferentes doenças.
A intenção é que, após a validação e a obtenção dos registros necessários, o Tecpar possa fabricar e comercializar o kit diagnóstico no Brasil.
Com a conclusão do CIV e o avanço das pesquisas, o Paraná busca ampliar sua participação na cadeia nacional de insumos veterinários, oferecendo alternativas de produção interna para produtos considerados importantes no monitoramento sanitário da pecuária brasileira.
Com informações da Assessoria de Comunicação do Tecpar.






















