Com produção agropecuária de R$ 213 bilhões em 2025, Paraná busca ampliar valor agregado dos alimentos e avança na geração de energia a partir da cadeia rural

A transformação de grãos e proteínas em produtos de maior valor agregado e o avanço dos biocombustíveis foram apontados como caminhos para uma nova etapa do agronegócio paranaense durante a 7ª edição do Fórum do Agronegócio, realizada nesta quinta-feira (3), em Londrina.

Com o tema “O Brasil como potência do agro. O que define os próximos anos”, o encontro reuniu produtores rurais, executivos, pesquisadores, representantes de entidades e do poder público para discutir como o setor pode manter competitividade diante das mudanças no mercado internacional, do cenário geopolítico e das demandas relacionadas à segurança alimentar e à transição energética.

Infraestrutura, logística, pesquisa, inovação, sustentabilidade, segurança jurídica, crédito e acesso a novos mercados também estiveram entre os assuntos debatidos.

Industrialização para agregar valor

Um dos principais pontos levantados no fórum foi a necessidade de avançar além da produção e exportação de matérias-primas. A industrialização de alimentos foi apresentada como alternativa para manter uma parcela maior da riqueza gerada pelo agronegócio dentro do Estado.

Durante o encontro, o governador Carlos Massa Ratinho Junior defendeu esse modelo de desenvolvimento.

“Nós saímos do extrativismo agrícola, que é um grande erro do Brasil, e passamos a fazer disso uma grande indústria do agronegócio, que é o que deixa dinheiro aqui, vendendo os nossos produtos com cinco vezes mais valor do que vendendo a soja e o milho dentro do navio”, afirmou.

O prefeito de Londrina, Tiago Amaral, também destacou a transformação da produção como um dos desafios para os próximos anos.

“O Paraná hoje dá exemplo de como olhar para o futuro do agro, não apenas dependendo da produção inicial e da base, mas investindo justamente na transformação, porque é isso que vai trazer o resultado. Também não podemos deixar de destacar o produtor rural, é ele que produz o que vai ser transformado em grandes resultados”, disse.

Biocombustíveis ampliam espaço no campo

A produção de energia a partir da atividade agropecuária foi outro eixo das discussões. O aproveitamento de resíduos e matérias-primas do campo para produção de biogás e outros biocombustíveis vem abrindo uma nova frente econômica para a cadeia rural.

Segundo os dados apresentados no evento, das cerca de 1,7 mil plantas de biogás existentes no Brasil, aproximadamente 600 estão instaladas no Paraná.

“Também iniciamos a etapa da produção dos biocombustíveis. O Paraná já é o maior produtor de biocombustível do Brasil. Eu digo, de uma maneira figurada, que nós vamos ser Arábia Saudita do biocombustível. O Paraná hoje, das 1.700 plantas de biogás que tem no Brasil, 600 estão no Paraná”, declarou Ratinho Junior.

A discussão sobre energia renovável se soma a um cenário em que sustentabilidade e transição energética ganham importância para a competitividade do agronegócio, principalmente diante das exigências dos mercados consumidores internacionais.

Agro paranaense movimentou R$ 213 bilhões

O peso econômico do setor foi demonstrado pelos números apresentados durante o fórum. O Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) do Paraná alcançou R$ 213 bilhões em 2025, maior resultado da série histórica.

A pecuária respondeu por R$ 112,1 bilhões, mantendo pelo quarto ano consecutivo a maior participação no indicador. A agricultura movimentou R$ 91,2 bilhões.

Entre as principais atividades, a soja registrou VBP de R$ 42,3 bilhões, enquanto a avicultura de corte chegou a R$ 35,5 bilhões.

O Paraná também mantém posição de destaque na produção brasileira de proteína animal. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados no encontro, o Estado responde por quase 35% do abate nacional de frangos, ocupa a segunda posição em suínos e leite, a terceira em ovos e está entre os dez maiores produtores de carne bovina.

Outro componente importante dessa estrutura são as cooperativas. Cinco das dez maiores cooperativas do agronegócio brasileiro em faturamento estão instaladas no Paraná. Coamo, C.Vale e Lar aparecem nas três primeiras posições.

Infraestrutura e crédito entram na discussão

Embora industrialização e energia tenham ganhado destaque, os participantes também apontaram infraestrutura, crédito e ambiente de negócios como fatores necessários para sustentar a expansão do setor.

Nesse contexto, foram mencionadas iniciativas estaduais destinadas à modernização das propriedades, financiamento de produtores e cooperativas e melhoria das estradas rurais.

Entre elas está o Estrada Boa, que reúne 443 convênios com mais de 270 municípios e repasses superiores a R$ 3,5 bilhões para intervenções em aproximadamente 2,6 mil quilômetros de vias. Também foram citados mecanismos de financiamento, como o Banco do Agricultor Paranaense e o FIDC Agro Paraná.

Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná (SRP), Ilson Romanelli, discutir os gargalos enfrentados pelo setor é uma das funções do encontro.

“O Fórum do Agronegócio vai de encontro com o nosso propósito de fomentar o produtor rural e a nossa cadeia produtiva. Aqui é o lugar certo para fazer os debates sobre as dificuldades do nosso dia a dia”, afirmou.

Realizado anualmente pela Sociedade Rural do Paraná, em Londrina, o Fórum do Agronegócio reúne produtores, lideranças empresariais, pesquisadores e representantes do poder público. A edição de 2026 tem como conceito “O agro que produz, conecta e inspira” e aborda temas como inovação tecnológica, sustentabilidade, transição energética, crédito, clima, competitividade e políticas públicas.

Além de Ratinho Junior, participaram do painel o vice-presidente da SRP, Antonio de Oliveira Sampaio; o executivo de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), Roberto Araújo; e a diretora executiva da Sociedade Rural Brasileira, Patricia Arantes.

Fonte: Com informações da Agência Estadual de Notícias (AEN) e da Sociedade Rural do Paraná (SRP).