Nova fase do sistema tributário brasileiro altera a cobrança de impostos, impacta a emissão de notas fiscais e amplia a demanda por profissionais especializados.
A reforma tributária brasileira entrou em uma nova etapa em 2026 e já começa a provocar mudanças na rotina das empresas e dos profissionais da área fiscal. A implementação do novo sistema será gradual até 2033, período em que antigos tributos serão substituídos por novos mecanismos de arrecadação.
A principal mudança é a unificação de cinco tributos — ICMS, ISS, IPI, PIS e Cofins — em dois impostos sobre o consumo: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de competência federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), administrado por estados e municípios.
Com a regulamentação da reforma por meio da Lei Complementar nº 214/2025, especialistas avaliam que o período de transição exigirá atualização técnica e mudanças operacionais nas empresas.
O advogado tributarista Daniel Guimarães afirma que a reforma vai além da área fiscal e exige uma revisão dos processos internos das organizações.
“A reforma tributária não é somente tributária, ela é uma reforma estrutural, operacional e cultural das empresas. Isso serve de alerta para que os profissionais entendam que eles podem fazer a diferença a partir de agora, principalmente pela oportunidade de aperfeiçoar seus conhecimentos em relação aos novos tributos.”
Segundo a economista, administradora de empresas e editora da Revista Ecotour News & Negócios, Vininha F. Carvalho, o novo modelo também modifica a sistemática de aproveitamento dos créditos tributários.
“Com a transição para o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), o aproveitamento de créditos tributários tende a ficar mais dependente do efetivo recolhimento de impostos ao longo da cadeia produtiva.”
Outra mudança importante envolve a emissão de notas fiscais. A Resolução nº 6 do Comitê Gestor do IBS, publicada em abril deste ano, determinou que as empresas adaptem seus sistemas para incluir os campos específicos da CBS e do IBS. Desde 1º de agosto, documentos fiscais emitidos sem essas informações podem gerar multa de 1% sobre o valor da operação.
A expectativa é que o período de transição também aumente a procura por profissionais especializados. Pesquisa da consultoria Robert Half, realizada em 2025, mostrou que 53% das empresas pretendem contratar ao menos três novos colaboradores para atender às demandas da reforma. Desse total, 58% das vagas deverão ser permanentes e 42% temporárias.
Além das mudanças na tributação sobre o consumo, Vininha F. Carvalho destaca que a reforma alcança outros aspectos da legislação tributária.
“A Reforma Tributária vai além do consumo, atingindo alterações relevantes no Imposto de Renda, como a ampliação da faixa de isenção, a tributação de dividendos e o imposto mínimo sobre altas rendas. Estas medidas afetam diretamente pessoas físicas, investidores, empresas e cooperados. Entender possíveis impactos em preços, margens e operações permitirá agir com antecedência e evitar problemas futuros.”
Fonte: Revista Ecotour News & Negócios.





















