Premiações nacionais e internacionais reconhecem a qualidade dos produtos paranaenses; produtores do Norte do Estado também se destacam com apoio técnico e investimentos na agroindústria.
A produção de queijos do Paraná vem conquistando reconhecimento em competições nacionais e internacionais. Nas seis edições do Prêmio Queijos do Brasil, o Estado acumulou 667 medalhas, resultado que reflete o crescimento da atividade, a melhoria da qualidade dos produtos e a valorização das pequenas agroindústrias rurais.
Parte dessas conquistas está relacionada à assistência técnica oferecida pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) e pela Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). O trabalho abrange desde o manejo dos rebanhos e os cuidados com o leite até a fabricação, a adequação sanitária e a comercialização dos queijos.
“Por trás de cada produto reconhecido estão famílias que encontraram na produção de queijos uma fonte de renda, propriedades que transformaram o leite em produtos de maior valor agregado, queijarias que avançaram na estruturação e regularização, além de um trabalho de assistência técnica que acompanha o produtor do campo ao mercado”, afirma Karolline da Silva, assessora estadual de Agroindústria do IDR-Paraná.
Produção paranaense ganha reconhecimento internacional
Entre os destaques está o queijo Passionata, produzido em Toledo, no Oeste do Paraná. Em 2024, o produto conquistou a nona colocação entre os dez melhores do mundo no World Cheese Awards, realizado em Portugal. O queijo é elaborado com leite de vaca pasteurizado e recebe infusão de maracujá durante o processo de fabricação.
O produto foi desenvolvido por meio do Projeto Queijos Finos, parceria entre o IDR-Paraná e o Biopark de Toledo.
“Em parceria com o IDR, desenvolvemos o Projeto Queijos Finos, no qual apoiamos os produtores em todas as etapas da produção de queijos de alta qualidade, que vêm sendo reconhecidos em premiações internacionais. Um deles, o Passionata, chegou a ser escolhido entre os dez melhores do mundo”, explica Kennidy de Bortoli, pesquisador do Biopark.
Na edição de 2025 do concurso mundial, realizada em Berna, na Suíça, outros três queijos produzidos em Toledo foram premiados: Abaporu, Saint Marcellin e Garoa Tropical. A competição reuniu mais de cinco mil produtos avaliados por especialistas de mais de 50 países.
Norte do Paraná também se destaca na produção
No Norte Pioneiro, a Queijaria Vovó Zaine, localizada em Tomazina, é um exemplo do crescimento da atividade. Administrado por Paulo Henrique da Silva e Camila de Fátima Gonçalves da Silva, o empreendimento foi criado em 2020 e recebeu acompanhamento técnico do IDR-Paraná desde a implantação.
Com orientações sobre manejo de pastagens, alimentação animal, qualidade do leite e regularização sanitária, a família ampliou a produção e conquistou medalhas de prata e bronze em duas edições do Prêmio Queijos do Paraná. Atualmente, a comercialização dos queijos é a principal fonte de renda dos produtores.
“A Vovó Zaine é um exemplo de como o trabalho de uma família no campo pode ganhar novos caminhos quando ela tem acesso à orientação técnica. Acompanhamos desde os cuidados com o rebanho e a qualidade do leite até a estruturação e a regularização da queijaria. Isso faz diferença no produto final, porque as características da matéria-prima influenciam diretamente o rendimento, a textura, o aroma, o sabor e a estabilidade do queijo”, explica o engenheiro agrônomo e extensionista do IDR-Paraná, Alfredo Braz da Costa Alemão.
Municípios como Apucarana e Santo Antônio da Platina também tiveram participantes entre os premiados em competições de 2026, demonstrando a presença da produção regional no cenário estadual.
Regularização fortalece pequenas agroindústrias
Além da qualidade dos produtos, a regularização sanitária tem contribuído para ampliar o acesso ao mercado e melhorar a renda dos produtores.
Em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, a produtora Janete do Rocio Fila passou a comercializar seus queijos por um valor maior após formalizar o empreendimento. O preço do quilo subiu de aproximadamente R$ 40 para R$ 55. Atualmente, ela soma oito medalhas conquistadas em concursos.
“A importância da regularização sanitária não está somente na segurança de poder vender um produto devidamente regular, mas também na garantia de que estes produtos são adequados para consumo”, destaca Mariza Koloda Henning, chefe do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal e Vegetal da Adapar.
De acordo com a agência, o número de agroindústrias habilitadas pelo Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-PR) passou de 55, em dezembro de 2023, para 173, em maio de 2026. No mesmo período, a quantidade de municípios integrados ao sistema aumentou de 95 para 207.
Setor amplia produção e conquista novas medalhas
Somente em 2026, o Paraná conquistou 272 medalhas no Prêmio Queijos do Brasil, com representantes de diferentes regiões. No Mundial do Queijo do Brasil, realizado em abril, em São Paulo, foram 43 produtos lácteos paranaenses premiados entre 198 inscritos.
O crescimento também aparece na abertura de novos empreendimentos. Segundo dados do IDR-Paraná, cerca de 85 famílias vivem da produção de derivados de leite no Estado, e 30 novas queijarias foram implantadas nos últimos três anos.
O Prêmio Queijos do Paraná, criado para incentivar a atividade e valorizar a produção estadual, terá sua terceira edição em junho de 2027. Nas duas primeiras edições, realizadas em 2023 e 2025, foram inscritos 764 queijos, dos quais 173 receberam premiações.
Com capacidade para atender aproximadamente mil agroindústrias por ano, o IDR-Paraná mantém o acompanhamento técnico de produtores, especialmente daqueles que estão iniciando suas atividades, com foco na melhoria da produção, na regularização sanitária e na ampliação das oportunidades de comercialização.
Com informações da Agência Estadual de Notícias do Paraná (AEN).






















