Comissão Técnica de Hortifruticultura encerra atividades de 2026 com avanços no registro de defensivos agrícolas, certificação da produção e incentivo ao uso de produtos biológicos
A ampliação do registro de defensivos agrícolas e produtos biológicos para o cultivo de frutas e hortaliças está entre os principais resultados do trabalho desenvolvido pela Comissão Técnica (CT) de Hortifruticultura do Sistema FAEP nos últimos três anos. O grupo realizou, nesta terça-feira (27), sua última reunião de 2026, apresentando um balanço das ações voltadas ao fortalecimento da produção hortifrutícola no Paraná.
Sob a coordenação dos produtores Marco Antônio Machado, de Cornélio Procópio, e Paulo Ricardo Da Nova, presidente do Sindicato Rural de São José dos Pinhais, a comissão promoveu nove reuniões ao longo do período, envolvendo representantes de 48 sindicatos rurais do Estado.
Uma das principais frentes de atuação foi a articulação nacional para ampliar a disponibilidade de produtos destinados às culturas com suporte fitossanitário insuficiente, conhecidas como Minor Crops. Essas culturas enfrentam dificuldades no controle de pragas e doenças devido à quantidade limitada de defensivos registrados para utilização específica.
“O Sistema FAEP participa das discussões em âmbito federal e coordena nacionalmente o levantamento de demandas de defensivos agrícolas e produtos biológicos para essas culturas. A partir de 2018, o tema ganhou articulação nacional. Desde então, a entidade tornou-se referência nesse trabalho, que busca ampliar as alternativas disponíveis para o manejo das lavouras”, destaca o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette.
De acordo com o balanço apresentado pela comissão, 609 marcas comerciais foram registradas no contexto das Minor Crops. O avanço amplia as opções de produtos autorizados para os agricultores, contribuindo para o manejo fitossanitário das lavouras.
Certificação busca facilitar acesso a novos mercados
Além da disponibilidade de defensivos, a comissão acompanhou iniciativas relacionadas à certificação da produção vegetal, considerada importante para atender às exigências comerciais e ampliar as oportunidades de mercado.
Atualmente, existem protocolos de certificação definidos para banana, café, goiaba, morango, plantações florestais e produtos de base florestal. Esses instrumentos estabelecem critérios para os processos produtivos e permitem demonstrar aos compradores as condições em que os alimentos e demais produtos foram cultivados.
A Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) também iniciou uma aproximação com representantes do varejo para apresentar os benefícios dos selos de certificação. A proposta é estimular o reconhecimento dos produtos certificados e favorecer sua valorização comercial.
Para auxiliar os agricultores no cumprimento das exigências, profissionais da Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema FAEP receberam capacitação da Adapar e foram cadastrados no órgão.
Com a habilitação, os técnicos podem atuar como responsáveis técnicos dos produtores atendidos pelo programa, oferecendo orientação durante as etapas necessárias à certificação.
Produtos biológicos ganham espaço na agricultura
A última reunião da comissão em 2026 também abordou os avanços no desenvolvimento e na aplicação de produtos biológicos, utilizados como alternativas no manejo de pragas e doenças agrícolas.
A apresentação foi conduzida pela bióloga Isabella Gotti, coordenadora de Pesquisa e Desenvolvimento da empresa Koppert, que destacou as tecnologias disponíveis e os cuidados necessários para garantir a eficiência das aplicações.
Segundo os dados apresentados durante o encontro, o Brasil possui 1.016 produtos biológicos com registro ativo no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Apesar do crescimento desse segmento, a tecnologia de aplicação continua sendo um desafio, especialmente diante da tendência de redução do volume de calda utilizado nas lavouras e da expansão do uso de drones agrícolas.
Durante a apresentação, Isabella também compartilhou resultados de pesquisas relacionadas à compatibilidade entre microrganismos e defensivos químicos, à criação de formulações mais estáveis e à avaliação da eficácia dos produtos em diferentes culturas.
As discussões reforçaram a importância da integração entre tecnologias convencionais e biológicas para melhorar o manejo agrícola, reduzir impactos ambientais e atender às exigências de qualidade e segurança dos alimentos.
Com o encerramento das atividades de 2026, a Comissão Técnica de Hortifruticultura conclui um ciclo de três anos marcado por iniciativas relacionadas à regularização de produtos fitossanitários, à qualificação dos produtores e à busca de melhores condições de comercialização para a produção paranaense.
Com informações do Sistema FAEP.




















