Projeto criado por três alunas de colégio estadual utiliza diferentes tipos de solo e componentes naturais para produzir uma alternativa de baixo custo às tintas convencionais
Três estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar Professor Francisco Villanueva, em Rolândia, desenvolveram uma tinta ecológica produzida a partir de diferentes tipos de terra. A iniciativa, batizada de “Earth Paint – Tinta Ecológica à Base de Terra”, busca oferecer uma alternativa mais sustentável e acessível aos produtos convencionais, reduzindo os impactos ambientais associados à fabricação de tintas.
O projeto foi criado pelas alunas Jenifer Lot, de 16 anos, da 2ª série do Ensino Médio; Júlia Lot, de 15 anos, do 9º ano; e Yumi Nishimura, de 14 anos, do 8º ano do Ensino Fundamental. As três participam da Sala de Recursos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) da instituição.
Conhecida como geotinta, a mistura utiliza solos com diferentes características e tonalidades, combinados com aglutinantes e fixadores. A proposta é desenvolver um produto de baixo custo, com menor impacto ambiental e características adequadas para aplicações em diferentes superfícies.
Pesquisa começou com testes e ajustes na fórmula
O desenvolvimento da tinta envolveu pesquisa bibliográfica, coleta de amostras de solo e experimentos em laboratório. Inicialmente, as estudantes peneiraram a terra para retirar impurezas e começaram a testar diferentes combinações de ingredientes.
“No primeiro experimento, fizemos uma receita mais simples, utilizando cola branca, terra, alho e óleo de girassol. Durante o período de observação, percebemos que, após algumas semanas, houve perda de homogeneidade e formação de bolor, o que mostrou a necessidade de aprimorar os componentes”, explicou Júlia Lot.
Com os resultados da primeira experiência, as alunas modificaram a composição, utilizando cal virgem hidratada, cola PVA e óleo de linhaça para melhorar a textura e a fixação do produto.
“O óleo de linhaça ajudou a dar um aspecto mais uniforme e liso à tinta, além de auxiliar na impermeabilização, enquanto a cal contribuiu para a consistência e fixação”, apontou Yumi Nishimura.
A nova formulação apresentou boa aderência em superfícies de papel e madeira. O próximo passo previsto pelas estudantes é avaliar o desempenho da tinta em paredes de alvenaria.
Projeto ganha espaço em feiras científicas
A pesquisa já conquistou espaço em eventos voltados à ciência e à inovação, entre eles a Feira Londrinense de Inovação e Ciências (Flic), promovida pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Feira de Inovação, Tecnologia e Ciências (Fitec) e a Feira Científica do Núcleo de Altas Habilidades/Superdotação do Paraná (Fenaahs).
A professora Karina Afini, orientadora do trabalho, destaca os resultados obtidos pelas estudantes durante os experimentos.
“Fico muito orgulhosa dos meus alunos em vê-los se destacando em diferentes contextos sociais. A geotinta foi testada em telas artísticas e suportes de madeira, revelando uma rica variação de cores e texturas obtidas a partir de diferentes amostras de terra”, relatou a professora.
O Colégio Professor Francisco Villanueva acumula, em 2026, 18 participações em feiras científicas, com nove projetos diferentes. Entre os resultados estão credenciais para a Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit), em Recife (PE), e uma premiação na Milset Brasil, que garantiu participação na Milset Expo-Sciences International, prevista para 2027, no Kuwait.
Uma das integrantes do projeto, Jenifer Lot, participou das etapas de pesquisa e formulação da tinta e atualmente está no Canadá, onde realiza intercâmbio pelo programa Ganhando o Mundo, do Governo do Paraná.
Para o secretário estadual da Educação, Roni Miranda, iniciativas como essa demonstram a importância da pesquisa científica desde a educação básica.
“Ver estudantes dos ensinos Fundamental e Médio mobilizadas em pesquisas de impacto socioambiental mostra como o ambiente escolar paranaense incentiva a inovação e o pensamento crítico. Projetos como esse comprovam que os nossos jovens têm capacidade técnica e criativa para propor soluções reais para o mundo”, afirmou.
Além da participação em feiras, as estudantes pretendem continuar os testes para aperfeiçoar a geotinta e ampliar suas possibilidades de aplicação. A pesquisa também demonstra como materiais encontrados na natureza podem ser utilizados no desenvolvimento de alternativas com potencial para reduzir custos e impactos ambientais.
Com informações da Agência Estadual de Notícias (AEN).




















