Federação que reúne 105 hospitais filantrópicos do Estado afirma que modelo pode reduzir defasagem dos repasses do SUS e ampliar atendimento à população.

A Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (FEMIPA) apresentou aos pré-candidatos ao Governo do Paraná uma proposta para criação da Tabela SUS Paranaense, mecanismo que prevê uma complementação estadual aos valores pagos atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A proposta foi entregue durante reunião realizada na quarta-feira (22), quando a entidade recebeu o senador Sérgio Moro e o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca. Os dois pré-candidatos receberam o documento “Saúde e Sustentabilidade Filantrópica no Paraná”, que reúne demandas dos hospitais filantrópicos para os próximos anos.

Segundo a FEMIPA, a criação de uma tabela estadual busca reduzir a diferença entre os custos dos procedimentos realizados pelos hospitais e os valores repassados atualmente pelo sistema público.

A entidade representa 105 hospitais filantrópicos do Paraná e afirma que essas instituições são responsáveis por cerca de 70% da assistência prestada aos paranaenses.

Para o presidente da FEMIPA, Charles London, o fortalecimento da rede filantrópica é uma alternativa para ampliar o atendimento público com maior eficiência.

“Os hospitais filantrópicos são responsáveis por 70% da assistência prestada aos paranaenses. Investir nessa rede significa fortalecer o SUS e ampliar o acesso da população a serviços de qualidade”, afirmou.

A federação também defende que a futura tabela estadual tenha atualização anual, principalmente para procedimentos de alta complexidade, garantindo maior previsibilidade financeira para os hospitais.

Proposta prevê complemento aos valores do SUS

De acordo com a FEMIPA, a Tabela SUS Paranaense teria funcionamento semelhante a modelos adotados por outros estados, como São Paulo e Santa Catarina, com pagamento complementar aos procedimentos realizados pela rede pública.

A entidade avalia que uma política permanente de financiamento permitiria aos hospitais planejar investimentos, melhorar a estrutura de atendimento e ampliar a capacidade operacional.

“Se houver uma tabela linear, clara e com atualização periódica, todos ganham: os hospitais, o Estado e, principalmente, os paranaenses, que terão uma rede mais forte e preparada para atender”, declarou Charles London.

Sérgio Moro diz que proposta está alinhada ao plano de governo

O senador Sérgio Moro afirmou que recebeu com satisfação a proposta apresentada pela FEMIPA e disse que a criação de uma política estadual para reduzir a defasagem da tabela federal do SUS está entre as prioridades de seu projeto para a área da saúde.

Segundo Moro, a experiência adotada em São Paulo será uma referência para uma possível implementação no Paraná.

“Esta iniciativa é uma das prioridades do nosso plano de governo para a saúde, que reduz a defasagem da tabela federal, ampliando a remuneração dos hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O modelo paulista é uma experiência que vem apresentando resultados positivos, com aumento dos atendimentos e redução das filas”, afirmou.

O pré-candidato também disse que pretende contar com as contribuições da FEMIPA na construção da política pública.

Rafael Greca defende telemedicina e integração regional

O ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca também manifestou apoio às propostas apresentadas pela federação. Entre os pontos destacados por ele está o incentivo à telemedicina como forma de reduzir o deslocamento de pacientes entre municípios em busca de atendimento especializado.

Greca afirmou que experiências desenvolvidas em Curitiba podem servir como referência para outras regiões do Paraná.

“Recebo com muita alegria as propostas da FEMIPA que deverão beneficiar o povo do Paraná. Temos experiências maravilhosas em Curitiba e que podem ser transmitidas a todo Estado”, declarou.

FEMIPA apresenta outras demandas para hospitais filantrópicos

Além da criação da Tabela SUS Paranaense, a entidade apresentou outras propostas relacionadas ao financiamento e funcionamento dos hospitais filantrópicos.

Entre elas estão a revisão do programa HOSPSUS, com atualização dos valores repassados às instituições, criação de linhas permanentes de crédito pela Fomento Paraná e medidas para modernização e reestruturação financeira dos hospitais.

A FEMIPA também defende maior agilidade na liberação de recursos provenientes de emendas parlamentares, mudanças nos repasses do programa Nota Paraná e uma agenda permanente de diálogo entre a Secretaria de Estado da Saúde e os hospitais filantrópicos.

Para a entidade, o fortalecimento dessa rede é fundamental para garantir atendimento de média e alta complexidade e ampliar o acesso da população aos serviços do SUS no Paraná.

Com informações da Assessoria da FEMIPA