Setor responde por 35,8% do PIB industrial paranaense e emprega cerca de 266 mil trabalhadores; automação ajuda a enfrentar a falta de mão de obra qualificada e exige novas competências profissionais

A indústria de alimentos e bebidas do Paraná tem ampliado o uso de tecnologias e sistemas automatizados para aumentar a produtividade, reduzir perdas e melhorar a qualidade dos produtos. O avanço ocorre em meio à dificuldade de contratação de profissionais qualificados e ganha destaque no Dia Mundial da Alimentação, celebrado nesta sexta-feira (16).

Dados levantados pelo Núcleo de Assessoria Econômica da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) mostram que o setor contava com 5.985 estabelecimentos em 2025. Até agosto de 2026, aproximadamente 265,9 mil trabalhadores estavam empregados na atividade, segundo o Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged).

A participação econômica também é significativa. Em 2024, último dado disponível, alimentos e bebidas representaram 35,8% do Produto Interno Bruto (PIB) industrial do Paraná, conforme o IBGE. Já as exportações do segmento ultrapassaram US$ 8,6 bilhões em 2025, de acordo com o Comex Stat.

Para o coordenador do Conselho Setorial de Alimentos e Bebidas da Fiep, Daniel Kummel, os investimentos em inovação são fundamentais para manter a competitividade das empresas.

“A indústria de alimentos tem uma participação muito relevante na economia do Paraná e, para continuar crescendo de forma competitiva, precisa investir permanentemente em produtividade. Automação, digitalização e inovação permitem aprimorar processos, reduzir perdas, ampliar a qualidade e produzir mais, ao mesmo tempo em que transformam o perfil dos profissionais demandados pelas empresas”, afirma.

Tecnologia muda o perfil dos empregos

A modernização das fábricas envolve desde a seleção de matérias-primas até o processamento, controle de temperatura, embalagem, inspeção de qualidade e armazenamento. Sensores, equipamentos automatizados e sistemas digitais permitem acompanhar a produção e identificar falhas com maior precisão.

Além de substituir parte das atividades repetitivas, a automação exige trabalhadores preparados para operar, supervisionar e realizar a manutenção de equipamentos mais sofisticados. Nesse cenário, a qualificação profissional passa a ser um dos principais desafios para acompanhar a transformação industrial.

“Quando a indústria investe em tecnologia, ela não está apenas modernizando uma linha de produção. Está criando condições para ser mais eficiente, competitiva e sustentável. Ao mesmo tempo, surgem novas funções e aumenta a necessidade de qualificação profissional. Tecnologia e pessoas precisam avançar juntas para que o setor aproveite todo o seu potencial”, acrescenta Kummel.

Produção movimenta diferentes setores

A cadeia de alimentos e bebidas também impulsiona atividades ligadas à agropecuária, fabricação de máquinas, embalagens, logística, energia e distribuição. O processamento de carnes, peixes, grãos, leite e outras matérias-primas agrega valor à produção rural e amplia as oportunidades de negócios.

Entre os segmentos que integram essa cadeia estão a alimentação animal, voltada tanto ao mercado de animais de estimação quanto à pecuária, e os alimentos funcionais, cuja demanda acompanha mudanças nos hábitos de consumo e a procura por produtos associados à saúde e ao bem-estar.

“Quando falamos em indústria de alimentos, estamos falando de uma cadeia muito diversa, que está presente na rotina das pessoas e, ao mesmo tempo, tem enorme impacto econômico. É uma indústria que valoriza as origens do Paraná, transforma matérias-primas, gera empregos, incorpora tecnologia e leva produtos do estado para consumidores no Brasil e no mundo”, destaca o coordenador.

Com forte participação na economia estadual, a indústria de alimentos e bebidas enfrenta o desafio de conciliar expansão produtiva, inovação tecnológica e formação de profissionais. A capacidade de acompanhar essas transformações será decisiva para manter a competitividade do setor nos mercados nacional e internacional.

Com informações da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep).