Participação dos Estados Unidos nas compras da fruta caiu de 15% para 5% em um ano; produtores buscam novos mercados para reduzir impactos.

A nova tarifa aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros aumentou a pressão sobre os exportadores de uva, uma cadeia que já vinha enfrentando dificuldades para manter espaço no mercado norte-americano. A sobretaxa adicional de 25% elevou para 35% a carga tributária sobre a fruta brasileira enviada ao país.

O impacto ocorre em um cenário de forte redução das compras americanas. No primeiro semestre de 2025, os Estados Unidos responderam por 15% das exportações brasileiras de uva. No mesmo período deste ano, a participação caiu para apenas 5%.

Os dados do sistema Comex, plataforma oficial de comércio exterior do governo federal, mostram a retração do mercado. Em 2024, os Estados Unidos compraram 23% das uvas exportadas pelo Brasil, totalizando 58,9 mil toneladas. Em 2023, o país representava 27% das vendas externas brasileiras da fruta, com 72,2 mil toneladas.

A queda se intensificou após as primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos no ano passado. Mesmo depois da redução da sobretaxa anterior, as exportações de uva para o mercado norte-americano não conseguiram recuperar os níveis registrados anteriormente.

No primeiro semestre deste ano, o Brasil enviou 415,4 toneladas de uva aos Estados Unidos, volume significativamente inferior às 1,6 mil toneladas exportadas no mesmo período do ano anterior.

Produtores buscam alternativas para reduzir dependência

Com o aumento das barreiras comerciais, produtores e exportadores passaram a reforçar estratégias para diminuir a dependência do mercado norte-americano. Entre as medidas estão a busca por novos compradores internacionais, ampliação das vendas para Europa e Canadá e investimentos em certificações e padrões de qualidade exigidos por mercados mais competitivos.

Segundo especialistas do setor, a instabilidade nas regras comerciais dos Estados Unidos exige maior planejamento por parte das empresas brasileiras.

“O cenário reforça a importância de diversificar mercados e manter padrões de rastreabilidade e competitividade para reduzir riscos comerciais futuros”, afirma Hugo Centurion, head da Ascenza Brasil.

A avaliação é que os produtores devem ampliar a presença em mercados da Ásia e Oriente Médio, além de buscar contratos de longo prazo e oportunidades em períodos de menor oferta internacional.

Agronegócio brasileiro também sente impactos

A nova tarifa norte-americana atinge parte das exportações do agronegócio brasileiro. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cerca de 36,5% das vendas externas do setor foram afetadas pela medida, enquanto 63,5% ficaram fora da sobretaxa.

Além da uva, produtos como açúcar, arroz, madeira e ovos passaram a enfrentar a cobrança adicional. Outros itens importantes da pauta brasileira, como café, carne bovina e suco de laranja, ficaram de fora da nova tarifa.

Apesar de não ser o principal destino de todas as cadeias agrícolas brasileiras, os Estados Unidos continuam sendo um mercado estratégico. Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 11,4 bilhões para o país, com destaque para produtos como café, carnes, produtos florestais, açúcar, frutas e tabaco.

Cenário exige adaptação do setor

Para representantes do setor exportador, a nova tarifa reforça uma tendência de mudanças no comércio internacional, com países utilizando medidas comerciais como instrumento de política econômica.

A expectativa é que produtores brasileiros continuem ampliando mercados e investindo em competitividade para enfrentar o novo cenário.

Mesmo com a redução das vendas aos Estados Unidos, o setor avalia que a diversificação de destinos pode evitar impactos maiores e garantir novas oportunidades para a produção nacional de frutas.

Com informações da Assessoria da Ascenza.