Doenças podem evoluir sem sintomas por muitos anos e causar danos graves ao fígado; vacinação e testes rápidos são oferecidos gratuitamente na rede pública.
A campanha Julho Amarelo mobiliza instituições de saúde em todo o Brasil para conscientizar a população sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das hepatites virais. A iniciativa busca ampliar o acesso à informação e estimular a realização dos testes rápidos disponíveis gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
As hepatites virais são infecções que provocam inflamação no fígado e, em muitos casos, evoluem de forma silenciosa. Os tipos B e C são os que mais preocupam os especialistas por poderem se tornar crônicos e causar complicações como cirrose, insuficiência hepática e câncer de fígado quando não são identificados precocemente.
Segundo especialistas da área da saúde, um dos maiores desafios é justamente o fato de muitos pacientes permanecerem anos sem apresentar sintomas. Quando surgem sinais como pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, cansaço intenso ou dores na região abdominal, a doença pode já estar em estágio avançado.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente testes rápidos para hepatites B e C, permitindo que o diagnóstico seja feito em poucos minutos. A identificação precoce aumenta significativamente as chances de sucesso no tratamento e reduz o risco de complicações.
Vacinação e prevenção
A vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção. A vacina contra a hepatite B está disponível gratuitamente para pessoas de todas as idades na rede pública de saúde. Já a imunização contra a hepatite A integra o calendário infantil e também é indicada para grupos específicos de maior risco.
No caso da hepatite C, ainda não existe vacina. Por isso, especialistas reforçam a necessidade de evitar o compartilhamento de objetos que possam entrar em contato com sangue, como alicates de unha, lâminas de barbear, seringas e materiais utilizados em tatuagens e piercings que não sejam descartáveis ou corretamente esterilizados.
Além disso, o uso de preservativos nas relações sexuais é recomendado para prevenir a transmissão da hepatite B e de outras infecções sexualmente transmissíveis.
Atenção para pessoas acima de 45 anos
A campanha também chama a atenção das pessoas com mais de 45 anos. Quem realizou transfusões de sangue, cirurgias ou outros procedimentos médicos antes de 1993 pode ter sido exposto ao vírus da hepatite C, já que naquela época os bancos de sangue ainda não realizavam a triagem obrigatória para a doença.
Especialistas orientam que esse público procure uma Unidade Básica de Saúde para realizar a testagem, mesmo na ausência de sintomas.
Tratamento gratuito
O tratamento das hepatites virais é oferecido gratuitamente pelo SUS. Atualmente, a hepatite C apresenta índices de cura superiores a 95% com medicamentos modernos. Já a hepatite B pode ser controlada com terapias que reduzem a progressão da doença e diminuem o risco de complicações.
Com a meta de eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, conforme proposta da Organização Mundial da Saúde (OMS), as autoridades de saúde reforçam que a informação, a vacinação e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais ferramentas para reduzir o número de casos e evitar mortes causadas pela doença.
Com informação da CRBM6





















