Um monumento no Bosque Central para homenagear e valorizar a história de Londrina, resgatar a importância da madeira no primeiro ciclo da colonização, integrar identidade urbana e natureza, criar um espaço público de visitação para conhecer mais sobre a evolução do município, contemplar a beleza atual e vislumbrar novos desafios. A construção do Mirante da Memória, no coração da cidade, é a proposta de um grupo de arquitetos formados pela UniFil e estagiários de Arquitetura e Urbanismo, liderados pelo professor Lucas Raffo – profissional com projetos premiados internacionalmente que destacam a sustentabilidade.
A proposta é erguer uma torre de madeira em formato de parábola, com o térreo e mais sete pavimentos, complementada também com estruturas em aço. Construído no perímetro do largo canteiro onde era a Rua Piauí, o monumento não interfere no fluxo de passagem e convívio do Bosque, preserva todas as árvores e a vegetação, insere uma nova estrutura para ampliar o acesso das pessoas às informações sobre patrimônio histórico, cultural e natural de Londrina, além de oferecer salas para exposições, mostras, workshops, reuniões e outros eventos de pequeno porte. O investimento na obra é de R$ 12,7 milhões, numa estimativa preliminar embasada em orçamentos.
“A ideia do Mirante da Memória é representar o elo entre natureza, história e cidade. O Bosque remete às origens, onde ainda hoje existem exemplares de espécies nativas e inclusive de peroba – que é a árvore símbolo do primeiro ciclo econômico de Londrina, na produção de madeira extraída da grande floresta existente na região” – comentam os autores. Acrescentam que as trilhas em meio às árvores, que levam ao canteiro central onde estará o monumento, remetem às picadas na mata abertas pelos desbravadores nas décadas de 1920 e 1930. “É uma intervenção para reconhecer o patrimônio histórico e propor cuidados e valorização do Bosque Marechal Cândido Rondon” – sinalizam.
O arquiteto Lucas Raffo explica que o monumento resgata a madeira como elemento construtivo, alia tecnologia à memória com recursos para experiências virtuais, permite ao visitante estar na altura do topo das árvores do Bosque e ver com o horizonte de Londrina em todas as direções. Um elevador panorâmico garante acessibilidade e uma bela experiência visual no percurso do térreo aos sete andares. Logo na recepção do edifício, as pessoas poderão fazer registro pessoal em foto ou vídeo para compor a “Caixa da Memória”, passando a integrar a história da cidade que permanecerá para as próximas gerações.
O projeto Mirante da Memória foi desenvolvido para o concurso de Monumento dos 100 anos de Londrina e será colocado à disposição do poder público para análise. “Um trabalho gratificante e alegre, num processo leve da equipe que se dedicou e se apaixonou pelo desenvolvimento da ideia, independente do resultado do concurso. A inspiração principal das perobas de tanta importância na história e ainda presentes no Bosque deu força para a proposta de uma construção em madeira, hoje um material de vanguarda na arquitetura. O projeto pode ser executado sem derrubar qualquer árvore, mantendo todo o espaço de circulação, inserindo um edifício de traços contemporâneos no coração da cidade e criando uma atração turística” – salienta Lucas Raffo.
O Mirante da Memória traz um conceito: “Relembra o passado, aponta para o futuro mas vive o presente”. O térreo abriga recepção, registro digital, sanitários, acesso a escadas e ao elevador panorâmico. O primeiro pavimento tem área livre para exposições, mostras e outras atividades culturais. O segundo prevê espaço flexível para workshops, reuniões e pequenos eventos. Do terceiro ao quinto estão a “Caixa da Memória” contando a história de Londrina dividida por décadas, três em cada pavimento até completar 90 anos. No sexto a Caixa da Memória e Pertencimento é dedicada às pessoas comuns e personalidades da cidade. No sétimo fica o mirante em 360 graus, uma caixa de vidro para a experiência de se aproximar de uma peroba.Também proporciona vista completa do horizonte.

Lucas Raffo e o grupo compreendem a ousadia da proposta e sabem que pode suscitar polêmica. Mesmo assim, os autores estão dispostos a enfrentar o desafio de apresentar à cidade uma ideia de realce na identidade urbana. Todos os integrantes da equipe são ligados ao curso da UniFil: os profissionais Bruna Santos, Gabriel Cordioli, João Luiz Pedro Junior formados na faculdade de Arquitetura e Urbanismo e o aluno Matheus Guedes, que concluiu a graduação no final de 2025.
Ricardo da Guia Rosa/Asimp





















