A ação, organizada pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Prefeitura de Guarapuava, por meio da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente e do Sistema de Garantia de Direitos, contou com a participação de quatro palestrantes e um auditório lotado.

Nesta sexta-feira (24), dando continuidade às ações do Maio Laranja, a Prefeitura de Guarapuava realizou uma mesa de debates sobre o combate à violência contra crianças e adolescentes no ambiente digital. O evento, organizado pela Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (SEMADS), ocorreu no auditório Francisco Contini, na Unicentro, e contou com a participação de quatro palestrantes que discutiram temas cruciais sobre a proteção dos jovens no ambiente digital.

Antes da mesa de debates, a Secretária de Assistência e Desenvolvimento Social, Rosa Aparecida Ramos Daniel, abriu o evento com uma fala enfática sobre o uso das novas tecnologias. Ela ressaltou a importância de pais e toda a rede de apoio estarem mais presentes na vida de suas crianças, interagindo além das telas. “É alarmante ver como tantas crianças estão imersas no mundo digital. Em casa, percebo o quanto elas ficam fixadas em telas, seja de celulares, tablets ou computadores. Não podemos permitir que as plataformas digitais substituam a interação humana essencial. Este é um alerta para todos nós,” afirmou Rosa, sublinhando a necessidade de maior atenção e interação familiar para combater os desafios impostos pelo ambiente digital.

Orides Negrello Neto, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Comdica), também destacou a relevância do tema. Ele apontou a necessidade de eventos como este para conscientizar a sociedade e lamentou a realidade de violências contra crianças. “Nós temos que lutar diariamente, dia e noite, para que isso seja ao menos minimizado,” disse Orides.

Isabela Menon, presidente da Rede de Proteção à Criança e ao Adolescente, sublinhou a responsabilidade coletiva na prevenção e combate às violências. “Como coordenadora, lembro que todos nós somos parte da rede profissional: famílias, comunidades, profissionais de setores como saúde, educação, assistência social, justiça e segurança pública. Todos fazemos parte de um sistema de garantia de direitos”, assinalou. Segundo Isabela, a rede abordou a temática do combate à violência sexual para crianças e adolescentes no ambiente digital devido à crescente demanda nos últimos anos.

Mariela Reis Bueno, da Defensoria Pública do Paraná, apresentou dados alarmantes sobre crimes sexuais no ambiente doméstico e a exploração infantil na internet. Ela alertou sobre a responsabilidade das plataformas digitais e a necessidade de maior fiscalização e combate a esses crimes. “As plataformas digitais lucram muito com isso. Então, acho que passou da hora de a gente fazer esses dados, ver que a responsabilidade disso é social,” afirmou Mariela.

Após a abertura, as autoridades deram lugar para a realização da mesa de debate, composta por Vilma Leiko Kato, promotora do Ministério Público do Paraná; Ana Carolina Hass, delegada da Delegacia da Mulher de Guarapuava; Débora Rickli Fiuza, psicóloga da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social; e Niceia Martin, advogada representante da OAB Guarapuava.

Débora Rickli Fiuza iniciou as discussões da mesa, abordando as determinações históricas que incidem sobre a infância, além da necessidade de mudanças coletivas e estruturais.

“A infância é um conceito moderno, nem sempre reconhecido ao longo da história. Até o século XIX, as crianças eram vistas como miniadultos. Isso criava desigualdades nas relações de poder e contribuía para a violência contra elas. Nosso desafio é entender essa violência e os meios de proteger melhor nossas crianças e adolescentes”, ressaltou.

Segundo a psicóloga, “hoje não podemos mais limitar nossa visão de violência a uma dinâmica simples de vítima e agressor. Precisamos compreender sua complexidade social e histórica”. Em sua pesquisa, Débora explora os marcadores sociais da violência, como raça, classe e gênero, que aumentam a vulnerabilidade de certas crianças.

“A proteção à infância é um esforço coletivo e estrutural que requer uma mudança de paradigma”, reforçou Débora.

A delegada Ana Carolina Hass explanou sobre o processo de denúncias e os trâmites legais envolvendo casos de abusos sexuais de crianças e adolescentes por meios digitais, enquanto Vilma Leiko Kato explicou a função do Ministério Público diante das violências virtuais. Niceia Martin, por sua vez, abordou as leis de proteção a crimes virtuais contra crianças e adolescentes, ressaltando a importância dessas legislações para a proteção dos grupos vulneráveis.

Para a adolescente Nayane Clara Ferreira, representante do Fórum Municipal da Criança e do Adolescente (Focas), iniciativas de proteção e debate como essas são fundamentais. “Temos que prestar atenção nas crianças, nas atitudes. Porque se elas estão abatidas, isso pode revelar algum abuso. E eu quero agradecer ao Focas por ter ensinado as leis que eu não sabia”, comentou Nayane.

Maio Laranja

O mês de maio, na Assistência Social marcado pela campanha do Maio Laranja, é dedicado ao enfrentamento e prevenção do abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Na edição deste ano, reforça a necessidade de conscientização e ação coletiva para combater essas graves violações de direitos, destacando a importância da educação e da proteção das crianças e adolescentes em todos os ambientes, especialmente no digital.